Peço licença mais uma vez aos leitores do blog, pois hoje não teremos receitas.
Quero contar um pouco da minha estória para vocês.
Por volta do ano 2000 eu comecei a me queixar para os meus médicos de sonolência no final da tarde, mas apesar das queixas constantes por todos os anos subsequentes, nenhum deles pareceu se importar.
Em algum exame de rotina da tiróide, creio que antes de 2000, detectaram nódulos, mas como dito pelos médicos, ‘todo mundo tem nódulos’ e não me preocupei.
Em 2001 comecei a sentir uma vontade enorme de comer doces.
Os doces que ate então eu só saboreava aos sábados, passaram a fazer parte da rotina, assim como quantidades cada vez maiores de pães e massas.
A fome só aumentava, as porções também e para tentar driblar a sonolência vespertina, passei a tomar baldes de café.
Obviamente engordei, ganhei 17 quilos rs
Em 2011 em um outro exame de rotina, os tais nódulos na tiróide estavam em bem maior número.
A biópsia foi inevitável com um temeroso resultado inconclusivo para câncer.
Todos os médicos indicaram cirurgia e remoção da tiróide e eu acabei fazendo a cirurgia.
Não havia nenhuma célula cancerígena no final das contas.
Nunca havia recebido qualquer diagnóstico de hipotireoidismo e não tomava nenhuma medicação.
Passei a ficar dependente de comprimidos de hormônios, mas tudo bem, da para viver com isso sem grandes problemas.
Quem acompanha o Diário sabe que já perdi a maior parte destes quilinhos a mais.
Devagarinho, como é a rotina da maioria das mulheres com hipotireoidismo.
Quem acompanha o blog sabe que tudo isso, no final das contas, foi uma grande oportunidade para o aprendizado e a busca pela saúde.
Ultimamente tenho me dedicado ao estudo da tiróide e especialmente do hipotireoidismo.
E o que tenho aprendido, experimentado e escutado de tantas mulheres com dificuldades de perder peso, é que me movem a escrever este post.
Aliás, prometi a algumas delas que escreveria!
Antes de mais nada, quem quiser entender o funcionamento desta glândula tão importante, sugiro que baixe este pequeno e valioso ebook sobre o tiroide em inglês
A dificuldade começa porque muita gente, como eu, se queixa de sintomas relacionados ao hipotireoidismo para seus médicos. Estes solicitam exames (basicamente exame de sangue para avaliar o TSH e o T4). Se os exames aparecem com resultados dentro da faixa de normalidade, eles dizem que esta tudo ok.
Na verdade, o que tenho aprendido, é que existe um tipo de hipotireoidismo chamado de sub-clínico que não é detectado por estes exames.
Então, se você tem algum (ns) sintomas desta lista (que surgiram sem causa aparente) e seus exames dão normais, fique atenta!

  • lentidão mental
  • depressão
  • demência
  • ganho de peso
  • prisão de ventre
  • pele ressecada
  • queda de cabelo
  • sonolência
  • sensibilidade ao frio
  • menstruação irregular
  • voz rouca
  • rigidez ou dor muscular
No livro que mencionei, existe uma série de explicações sobre o funcionamento da glândula e as razões do hipotireoidismo subclínico, mas não cabe a mim entrar nestes detalhes técnicos.
E se você esta nesta situação que eu estive, de ter alguns dos sintomas e não ter o diagnóstico, procure um médico que faça regulação hormonal e solicite mais exames (por exemplo exames para avaliar o T3 e o cortisol) e luto pelo diagnóstico e tratamento correto!
O que quero mesmo detalhar é como a dieta afeta a tiróide para o bem e para o mal!
Quem, como eu, engorda e começa a buscar o emagrecimento, acaba fazendo as mais variadas dietas e ai é que a situação se complica!
Toda hora escutamos que grãos integrais são saudáveis, que o pão é um alimento essencial na dieta do ser humano, etc.
O glúten (proteína do trigo e de outros grãos) afeta o funcionamento da tiróide em muitas pessoas, mas difícilmente isto é diagnosticado. O problema só é resolvido com a retirada do glúten da dieta.
Se você tem algum dos sintomas acima e ainda ingere glúten, a minha primeira sugestão é ficar 30 dias sem ingerir e verificar se há melhora. Se sim, não volte a comer!
Pode parecer estranho, mas uma outra coisa a se avaliar é a flora intestinal. Intestino saudável é importante para que a sua tiróide seja saudável.  Veja o que o Dr. Souto fala a respeito
Hoje em dia, é muito comum fazer dietas com baixa ingestão de carboidratos.
Os especialistas deixam alguns alertas:
  • Glicose é necessária para o organismo fazer a conversão de T4 em T3 e é o T3 que é utilizado pelas células.
  • Ingestão diária abaixo de 50 gramas de carboidratos pode fazer com que o corpo diminua o metabolismo, pois pode entender/traduzir que não há comida suficiente disponível. Metabolismo mais lento, mais dificuldade de emagrecer, mesmo se você estiver fazendo a dieta corretamente.
  • A ingestão diária entre 50 gramas e 200 gramas de boas fontes de carboidratos (verduras, legumes, frutas e tubérculos especialmente) poderá fazer com que a mulher perca mais peso do que uma dieta com ingestão menor de carbs. ( No meu caso as frutas aumentam a fome e não ajudam muito)
Alguns alimentos podem afetar os seus hormônios, atenção a:
  • Alguns alimentos, se ingeridos em grande quantidade rotineiramente, podem interferir na produção dos hormônios tireoidianos, são eles: brócolis/repolho/couve flor/couve/mostarda/wasabi/mandioca/amêndoas/cerejas/pêssego/damasco/pera/morango/batata doce. Cris Masterjohn sugere aumentar a ingestão de frutos do mar nestes casos, Pois estes alimentos interagem negativamente com o iodo.
  •  Falta de selênio também pode contribuir para uma tiróide não tão saudável, então saboreie 2 ou 3 castanhas do pará sempre que possível!
Em maio de 2012 comecei a fazer a Dieta Paleo low carb (basicamente sem grãos, sem açúcar e sem produtos industrializados).
A Paleo é uma dieta muito saudável. A sensação imediata é a de bem estar, com mais energia e disposição, mas não estava perdendo peso… Acreditava que por ser  paleo, poderia comer qualquer alimento permitido a vontade, e mergulhei nas tapiocas, no polvilho, etc.  Nesta época eu tomava 50mg de Puran T4.
Em outubro comecei a versão cetogênica da dieta paleo, ou very low carb, ou seja, menos de 50 gramas de carboidratos ao dia. Sentia-me muito bem e o peso começou a baixar!
A visita seguinte ao endócrino veio com uma surpresa: Alteração nos resultados dos exames de TSH e T4, por isso passei a tomar o Puran 100 mg. Nunca tinha tomado uma dose tão alta!
Em meados de janeiro, eu comecei a perceber que estava perdendo massa magra, apesar dos treinos!
Por causa disso, comecei a rever a dieta e depois de alguns testes sem sucesso, decidi aumentar a quantidade de carboidratos.
Comecei a ingerir alguns tubérculos como batata doce, inhame e cará, tentando me manter na faixa entre 50 e 100 gramas diárias.
Na primeira semana perdi 500 gramas
Na segunda semana, experimentei ingerir algumas frutas como pêssego, ameixa e pera, mas não foi bom.
Não perdi mais massa magra e perdi um pouco de medidas, então creio que estou no caminho certo!
Já se passaram anos de dieta e continuo firme na paleo low carb com ingestão de alguns tubérculos cozidos e resfriados.
Meu objetivo principal é saude e estou muito bem assim. Continuo tomando o Puran 50 mg
Antes de finalizar, deixo aqui o alerta para as meninas que estão com dificuldade de perder peso: Alem de uma dieta saudável, fiquem atentas ao tipo de alimento que ingerem, a quantidade e a qualidade.
A gente deve experimentar formatos diferentes e observar as reações do nosso corpo.
Segurem a ansiedade, pois a perda de peso será lenta, mas acontecerá!
Compartilhe!